
Na região anterior da maxila, poucos milímetros podem fazer uma grande diferença no posicionamento correto de um implante dentário, no suporte do tecidos ósseo e gengival, com grandes consequências no resultado da reabilitação estética.
Por isso, o planejamento de um implante dentário não deve considerar apenas a presença de osso em uma imagem bidimensional, como das radiografias tradicionais. É necessário avaliar a largura, a altura, a espessura das paredes ósseas e a relação dessas estruturas com o futuro dente.
No estudo publicado pelo Prof. Dr. Alexandre Hugo Llanos e colaboradores no Journal of Clinical Periodontology em 2019, a tomografia computadorizada de feixe cônico, conhecida como Cone Beam, foi utilizada para avaliar alterações no rebordo alveolar após a extração de dentes anteriores superiores e sua reabilitação com implantes dentários e coroas de porcelana sobre implante.
O que a tomografia Cone Beam permite avaliar?
A tomografia Cone Beam fornece imagens tridimensionais da região analisada. No artigo, os pesquisadores compararam imagens obtidas imediatamente após a preservação de rebordo alveolar com novas imagens realizadas quatro meses depois.
Foram avaliadas medidas como:
- largura horizontal do rebordo;
- espessura da parede óssea vestibular;
- altura das paredes vestibular e palatina;
- alterações em diferentes níveis abaixo da crista óssea.
Essa avaliação permitiu observar não apenas se havia osso, mas como o volume da região havia se modificado durante a cicatrização.

Por que a região anterior exige atenção?
Os dentes anteriores superiores estão em uma área de grande importância estética. O osso vestibular, localizado na parte voltada para o lábio, pode ser fino nesta região.
No estudo, a espessura média da parede óssea vestibular variou aproximadamente entre 0,45 mm e 0,68 mm nas medições realizadas nos dois grupos. Os autores relacionaram a espessura reduzida dessa parede à maior remodelação observada na região vestibular.
Após quatro meses, a redução vertical média da parede vestibular foi superior a 50% nos dois grupos. Já a alteração na parede palatina foi menor, aproximadamente 10%.
Esses resultados ajudam a explicar por que uma região pode parecer adequada externamente e, ainda assim, apresentar limitações ósseas importantes para a instalação e o posicionamento de um implante.
O que o estudo mostrou sobre a instalação dos implantes?
A instalação dos implantes foi planejada quatro meses após a preservação alveolar.
Os locais com mais de 4 mm de largura horizontal do rebordo eram considerados elegíveis para a instalação do implante. Quando a largura era inferior a esse valor na região avaliada, foi realizada uma etapa de aumento ósseo e a instalação do implante foi feita posteriormente.
No total, 64 pacientes receberam implantes após o período de cicatrização. Em alguns casos, foi necessário realizar regeneração óssea guiada no momento da instalação, devido à presença de fenestração, deiscência ou espessura óssea remanescente inferior a 1 mm ao redor do implante.
Isso mostra que a preservação alveolar pode contribuir para o planejamento, mas não elimina a possibilidade de procedimentos complementares.
A preservação óssea garante que o implante poderá ser instalado?
Não.
O artigo relata que todos os pacientes que completaram o acompanhamento apresentaram possibilidade de instalação de implante após a preservação alveolar. Porém, parte dos pacientes ainda precisou de regeneração óssea guiada durante a cirurgia de implante.
Além disso, o estudo avaliou um grupo específico: adultos, com dentes anteriores superiores, boa higiene oral, pelo menos 50% da parede óssea vestibular preservada e sem determinadas condições médicas ou locais.
Por isso, os resultados não permitem garantir que todos os pacientes terão o mesmo desfecho.
Como a tomografia contribui para uma decisão mais segura?
A tomografia pode ajudar o profissional a:
- identificar a espessura e a altura das paredes ósseas;
- verificar a largura disponível para o implante;
- analisar possíveis defeitos ou áreas de perda;
- planejar a posição tridimensional do implante;
- avaliar a necessidade de regeneração óssea;
- comparar a anatomia antes e depois da cicatrização.
A imagem, contudo, não substitui a avaliação clínica. A análise também deve incluir tecidos gengivais, higiene oral, condições sistêmicas, hábitos, expectativas e planejamento protético.
Ciência aplicada à decisão clínica
O Dr. Alexandre Llanos, Livre-Docente e Professor da FOUSP, doutor em Periodontia e especialista em Implantodontia, participou da condução clínica do estudo e realizou os procedimentos cirúrgicos nos pacientes avaliados.
A pesquisa demonstra uma abordagem importante para a implantodontia: medir as alterações anatômicas, acompanhar a cicatrização e utilizar os resultados para orientar o planejamento, sem transformar um resultado científico em promessa individual.
Para quem busca tratamento de implante em São Paulo ou na região da Avenida Paulista, a avaliação deve começar pela compreensão da situação clínica específica, e não pela escolha isolada de uma técnica ou material.
Perguntas frequentes
Toda pessoa que precisa de implante dentário precisa de tomografia?
A necessidade depende do planejamento clínico. Na grande maioria dos casos, a tomografia é importante para avaliar a anatomia tridimensional, mas a indicação deve ser feita pelo profissional.
A tomografia mostra se o implante dará certo?
Não é possível garantir o resultado apenas pelo exame. A tomografia fornece informações anatômicas muito importantes, mas o sucesso também depende de outros fatores como: treinamento do profissional, técnica utilizada, seleção da marca e tipo de implantes, entre outros.
É possível colocar o implante no mesmo dia da extração?
Sim, é possível : chama-se técnica de implante imediato. Mas esse artigo analisado avaliou outra técnica chamada de preservação de rebordo alveolar. É uma técnica indicada em casos onde não é possível realizar a cirurgia de implante dental no momento da exodontia. Isso pode dever-se a fatores locais, como falta de estabilidade do implante no momento da cirurgia ou presença de processos inflamatórios e infecciosos. O tempo de instalação do implante nessa técnica é de quatro meses depois.
Se faltar osso, o implante é impossível?
Não necessariamente. Dependendo do defeito, podem existir alternativas como regeneração óssea , que utiliza enxertos ósseos ou outras estratégias de planejamento. A decisão depende da avaliação individual.
Conclusão
A tomografia Cone Beam é uma ferramenta importante para compreender a anatomia da região e acompanhar alterações após a extração. Na zona estética, esse planejamento é especialmente relevante porque a posição do implante precisa considerar não apenas a função, mas também o suporte dos tecidos e a futura restauração.
A avaliação realizada pelo Dr. Alexandre Llanos pode ajudar a definir uma sequência de tratamento baseada na anatomia, na evidência científica e nas necessidades clínicas do paciente.
Versão condensada
A tomografia Cone Beam permite avaliar em três dimensões a largura, a altura e a espessura do osso antes do implante. No estudo conduzido com participação do Dr. Alexandre Llanos, o exame foi utilizado para acompanhar a cicatrização após a preservação alveolar e orientar a instalação dos implantes na região anterior da maxila.