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Implante Imediato ou Implante Tardio: Qual é a Melhor Escolha para Você?

por Prof. Dr Alexandre Hugo Llanos, cirurgião dentista

CROSP 56071

Dra Isabela Lopes Santos da Silva, cirurgiã dentista 

CROSP 136550

Quando um paciente recebe o diagnóstico de que um dente natural precisa ser removido, a primeira dúvida frequentemente gira em torno do tempo de recuperação: “Doutor, é possível remover a raiz e colocar o novo implante dentário na mesma consulta?” A proposta de realizar a exodontia e a ancoragem da fixação de titânio em uma única intervenção é conhecida como implante imediato. Essa técnica atrai olhares por otimizar o tempo cirúrgico, mas nem sempre representa a conduta mais segura ou biologicamente previsível para todos os casos clínicos.

A alternativa a esse modelo é a abordagem estagiada, conhecida como delayed implant placement (implante tardio). Nesse protocolo, realiza-se primeiramente a extração associada a técnicas de preservação alveolar, aguardando de quatro a seis meses para que ocorra a remodelação óssea inicial antes da instalação do implante. Na Clínica Llanos de Odontologia, nossa equipe adota uma abordagem pautada no rigor da literatura científica mundial para determinar, caso a caso, qual conduta oferece a maior taxa de sobrevida biológica e estabilidade estética de longo prazo no seu tratamento de implante em São Paulo.

O que diz a evidência científica

Na internet, a promessa de procedimentos rápidos e sem etapas intermediárias pode sugerir que a técnica imediata seja superior à tardia em qualquer situação. Entretanto, a odontologia baseada em evidências contradiz generalizações precipitadas. Um dos estudos metodológicos sobre essa comparação direta foi conduzido por Canellas et al. (2019) e publicado no renomado Journal of Cranio-Maxillo-Facial Surgery (DOI: 10.1016/j.jcms.2019.08.004).

Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados — o mais alto nível de evidência científica em saúde —, comparando desfechos de implantes imediatos e implantes tardios associados à preservação alveolar. Os resultados estatísticos revelaram nuances biológicas que todo paciente tem o direito de compreender detalhadamente:

Variável Clínica de DesfechoImplante Imediato (Pós-Extração)Implante Tardio com Preservação AlveolarSignificância Estatística / Impacto Clínico
Risco de Perda / Falha do ImplanteAumento de 3% no risco de falha precoceMaior taxa de estabilidade de cicatrizaçãoDiferença estatisticamente significativa (p < 0,05)
Estética em Dentes Anteriores (PES)Favorecido em casos criteriosamente selecionadosManutenção anatômica previsível com mais etapasSubgrupo anterior favoreceu técnica imediata
Previsibilidade na Região Posterior (Molares)Maior complexidade técnica e risco mecânicoFavorecido com menor incidência de complicaçõesSubgrupo molar favoreceu abordagem tardia
Reabsorção Óssea Marginal Peri-implantarEquivalente a longo prazoEquivalente a longo prazoSem diferença estatística significante entre técnicas

O dado central levantado pela meta-análise de Canellas aponta que o implante imediato eleva em aproximadamente 3% o risco  de insucesso de osseointegração comparado ao procedimento tardio protegido por preservação alveolar. Embora 3% possa parecer uma margem discreta, na prática cirúrgica especializada essa taxa justifica a recusa de atalhos em pacientes que apresentem fatores complicadores, como: espessura óssea reduzida (pouco osso disponível) e pacientes fumantes . Além disso, os autores do estudo ressaltaram que a maioria dos ensaios clínicos existentes apresentava elevado risco de viés metodológico, o que exige cautela redobrada e decisões pautadas no quadro anatômico real do paciente.

Vantagens e Limitações do Implante Imediato

O implante imediato é uma ferramenta valiosa quando aplicada com critérios estritos. Ele reúne a exodontia e a colocação do implante dentário em um único procedimento cirúrgico, reduz o número de consultas invasivas e, em cenários favoráveis, possibilita a confecção de uma coroa provisória sobre implante no mesmo dia, mantendo o arcabouço da gengiva e garantindo a autoestima imediata do indivíduo.

A principal sensibilidade para o sucesso deste procedimento é o alto nível de treinamento técnico do cirurgião dentista/ implantodontista, e de sua equipe. Ainda existem implantes com formato especial para um grande travamento no tecido ósseo, especiais para este caso (por exemplo : Straumann BLX).  

Entretanto, para que essa técnica alcance sucesso, as seguintes condições pré-operatórias são essenciais:

– Ausência absoluta de processo infeccioso agudo na raiz do dente extraído;

– Integridade total da tábua óssea vestibular (espessura ideal superior a 1,0 mm);

– Disponibilidade de osso apical remanescente (de 3 a 5 mm além do ápice da raiz) para obtenção de torque mecânico primário rigoroso (superior a 35 N.cm);

– Biotipo gengival , resistente a retrações estéticas indesejadas. Para essa questão, a indicação de da realização de enxerto gengival no momento da instalação do implante .

Se essas variáveis anatômicas não estiverem presentes, a instalação forçada de um implante imediato pode ter complicações , como:  recessão gengival nos primeiros 12 meses, exposição da cinta de titânio ou falha de osteointegração.

Quando a Abordagem Tardia com Preservação Alveolar Torna-se a Conduta de Escolha?

Na presença de infecções periodontais crônicas ativas, lesões periapicais extensas com destruição de paredes ósseas ou tábua vestibular ultrafina, o implante tardio com preservação prévia do rebordo é a escolha mais conservadora. A remoção atraumática associada ao enxerto de preenchimento com Bio-Oss e selamento com colágeno — metodologia  avaliada  pelo estudo clínico do Prof. Dr. Alexandre Llanos na FOUSP — recupera o leito ósseo nativo de maneira controlada.

Ao término do ciclo de integração tecidual (cerca 4 a 6 meses), o cirurgião encontra um rebordo ósseo com volume adequado e mucosa queratinizada (gengiva) cicatrizada. Nesse ambiente controlado, a instalação do implante dentário atinge taxas de sobrevida superiores a 98%, viabilizando um posicionamento tridimensional que otimiza a higiene bucal e a longevidade funcional da prótese. Porém o tempo de tratamento vai estender- se, com utilização de próteses provisórias sobre implante cerca de 8 a 10 meses após a cirurgia de extração do dente. 

A odontologia moderna não deve ser norteada pela pressa do calendário, mas sim pelo tempo biológico dos tecidos humanos. A decisão entre instalar o implante imediatamente ou aguardar a preservação óssea depende de exames de tomografia tridimensional e do perfil de saúde sistêmica do indivíduo. Outra informação importante: lesões iniciais em tecido ósseo, como inflamação e processos de infecção causados por trincas e fraturas nos dentes e raízes,  tendem a ter resoluções mais favoráveis do que processos instalados há mais tempo. Apenas uma avaliação clínica cuidadosa, apoiada por exames radiográficos bem realizados, podem determinar o melhor caminho, e um melhor resultado clínico duradouro.

Qual o posicionamento da Clínica Llanos de Odontologia nos casos de Abordagem Imediata e Abordagem tardia Com Preservação Alveolar?

Os casos de implantes e enxertos ósseos e gengivais são realizados pelo Prof Dr Alexandre Hugo Llanos, e sua equipe.  Aqui na nossa clínica a grande maioria dos casos é realizada a Abordagem Imediata, tanto em região estética (incisivos centrais, incisivos laterais e caninos) quanto na região posterior ( pré-molares e molares). Nos casos da zona estética, são normalmente utilizados implantes Straumann modelos BLT ou BLX, associados a enxerto ósseo (matriz/substitutos ósseos xenogênicos das marcas Geistlich ou Straumann/Botiss) e enxerto gengival de tecido conjuntivo de origem autógena. Na região de dentes posteriores, é comum utilizarmos implantes associados a  enxertos ósseos. 

A escolha pela técnica se dá na consulta de avaliação clínica, acompanhada de exames radiográficos adequados. Nossa equipe tem um alto treinamento cirúrgico, e uma alta experiência com mais de 15 anos na realização destes procedimentos na zona estética. Ainda conta com o apoio da tecnologia de escaneamento, softwares de tomografia computadorizada, que geram informações preciosas de planejamento digital. 

Na nossa clínica , também usamos a seguinte estratégia: casos favoráveis são identificados e indicados;  os casos desfavoráveis tem uma outra conduta clínica, que visa minimizar os processos inflamatórios locais para que o procedimento de abordagem  imediata possa ter mais chance  de sucesso. Existem casos em que a decisão acaba acontecendo no momento da cirurgia. Nestes casos, sempre há uma prótese temporária para casos estéticos, e o paciente nunca fica com o seu sorriso prejudicado. 

Os casos de Abordagem tardia podem acontecer, mas normalmente são planejados previamente, sem surpresa para os pacientes. Apesar de muito menos frequentes aqui na nossa clínica, temos realizado esses procedimentos com bastante sucesso quando indicado. 

Perguntas Frequentes (FAQ)

É possível fazer implante imediato se houver histórico de infecção no dente?
Em quadros de inflamação aguda com formação purulenta, a instalação imediata pode ser desaconselhada, pois o ambiente bacteriano pode levar o implante ao insucesso.. Caso a lesão seja crônica, periapical circunscrita e permita remoção mecânica  minuciosa com estabilidade óssea apical, o cirurgião avaliará a viabilidade durante o planejamento tomográfico, que deve ser confirmado no momento da cirurgia.

O implante tardio exige mais cirurgias que o imediato?
Sim. A abordagem tardia envolve dois momentos operatórios principais: o primeiro para a extração do dente associado à preservação óssea; e o segundo para a colocação do implante dentário. Depois da fase de cicatrização do implante, uma nova manobra cirúrgica (cirurgia de reabertura)  dará início à fase protética. Embora envolva mais etapas, essa técnica garante maior controle biológico em regiões de anatomia óssea comprometida. E uma facilidade técnica relevante.

Vou ficar sem dente visível durante o período de cicatrização do implante tardio?
De forma alguma. Durante toda a fase de maturação do enxerto e osseointegração, o paciente utiliza próteses provisórias estéticas confeccionadas em resina de alta qualidade (próteses parciais removíveis provisórias ou próteses fixas adesivas), de modo que o espaço sem o dente jamais fica exposto no convívio social diário.

Por que a taxa de insucesso é maior em molares na técnica imediata?
Dentes molares possuem múltiplas raízes divergentes, deixando alvéolos amplos e irregulares após a extração. Ancorar um implante reto com torque inicial estável no septo inter-radicular sem desvios axiais costuma ser complexo, aumentando as chances de micromovimentação e falha biomecânica se comparado à técnica tardia. Novamente aqui: o treinamento técnico do cirurgião e o uso de materiais cirúrgicos e implantes dentários  especiais para essa técnica são primordiais para o sucesso do tratamento.

O Prof. Dr.  Alexandre Hugo Llanos é diretor da Clínica Llanos de Odontologia, Professor Livre Docente da Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP). Também é  PhD em Periodontia e  especialista em Implantodontia pela FOUSP. Orientador permanente do Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Diagnóstico Bucal, Radiologia e Imaginologia da FOUSP, área de concentração em Odontologia Digital.

A Profa Isabela Lopes Santos da Silva é graduada pela Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP). Especialista em Dentística Restauradora e Estética. Doutorado em andamento pelo Programa Diagnóstico Bucal, Radiologia Odontológica e Imaginologia da Faculdade de Odontologia da USP, área de concentração em Odontologia Digital. Participa como membro colaborador da Disciplina de Clínica Integrada da FOUSP. Atua em clínica privada na área de Dentística, Estética Dental 

Referências Bibliográficas

  1. Canellas JVDS, Medeiros PJD, Figueredo CMDS, Fischer RG, Ritto FG. Which is the best choice after tooth extraction, immediate implant placement or delayed placement with alveolar ridge preservation? A systematic review and meta-analysis. J Craniomaxillofac Surg. 2019 Nov;47(11):1793-1802. doi: 10.1016/j.jcms.2019.08.004. Epub 2019 Aug 27. PMID: 31522823.
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  3. Jung RE, Philipp A, Annen BM, Signorelli L, Thoma DS, Hämmerle CH, Attin T, Schmidlin P. Radiographic evaluation of different techniques for ridge preservation after tooth extraction: a randomized controlled clinical trial. J Clin Periodontol. 2013 Jan;40(1):90-8. doi: 10.1111/jcpe.12027. Epub 2012 Nov 19. PMID: 23163915.
  4. Barone A, Ricci M, Tonelli P, Santini S, Covani U. Tissue changes of extraction sockets in humans: a comparison of spontaneous healing vs. ridge preservation with secondary soft tissue healing. Clin Oral Implants Res. 2013 Nov;24(11):1231-7. doi: 10.1111/j.1600-0501.2012.02535.x. Epub 2012 Jul 12. PMID: 22784417.
  5. Mardas N, Trullenque-Eriksson A, MacBeth N, Petrie A, Donos N. Does ridge preservation following tooth extraction improve implant treatment outcomes: a systematic review: Group 4: Therapeutic concepts & methods. Clin Oral Implants Res. 2015 Sep;26 Suppl 11:180-201. doi: 10.1111/clr.12639. Epub 2015 Jun 16. PMID: 26078004.